COMO MONTESSORI ME LIBERTOU DOS EXCESSOS DA MATERNIDADE

O que você vai encontrar neste artigo:

  • A maternidade moderna é cercada por listas, regras e expectativas irreais.
  • A chegada do bebê, porém, desmonta esse ideal e revela um vazio escondido atrás do consumo.
  • O encontro com Montessori transformou minha forma de ver o bebê — e a mim mesma —, mostrando que o menos é mais.
  • Ser mãe é observar, confiar e deixar a vida fluir com simplicidade.
  • Montessori me libertou do excesso para me reconectar com o essencial.

O início: quando a maternidade virou um checklist

Lá em 2018, quando descobri que seria mãe, mergulhei no universo da maternidade como a sociedade ensina: listas de enxoval, comparações, opiniões e uma busca incessante por controle.

Eu fui aquela mãe que googlou várias listas de enxoval e juntou todas, para garantir que não faltasse nada ao meu bebê. Afinal, ele não poderia “passar necessidade” — precisava de tudo aquilo já no primeiro dia!

Além do enxoval, uma mãe de primeira viagem ainda tem muito com o que se preocupar: as camisolas da maternidade, os ensaios fotográficos, as festas temáticas e, claro, a decoração do quartinho do bebê.

Dar conta de tudo isso nos faz acreditar que ser mãe é estar com cada detalhe pronto — e que o mais importante da maternidade é ter tudo comprado semanas antes da chegada do bebê. Se bobear, compre logo a fórmula, vai que você não consegue amamentar, não é?

Resumindo: gravidez é ter o quarto pronto, o estoque de fraldas garantido e uns dez cueiros lavados à mão (com sabão líquido antialérgico da marca X!!!).

Mas então o bebê nasceu e (pasmem!) nada aconteceu como prometeram.

As noites foram longas, o choro insistente, o corpo exausto, o peito vazio. A casa cheia de gente — e eu me sentindo sozinha, quase invisível. Aquela imagem de maternidade leve, cor-de-rosa (no meu caso, azul bebê) simplesmente não existia.

E dentro de mim, perguntas e angústias que não se calavam: Quem sou eu agora? Quem é esse bebê? O que aconteceu com a minha vida?

O encontro com Montessori

Foi na solidão, entre uma mamada e outra, que Montessori entrou na minha vida. E tudo começou a fazer sentido.

A filosofia montessoriana me mostrou que tudo o que me disseram sobre maternidade estava errado — ou, pelo menos, distorcido. Maria Montessori me ensinou que o bebê não é um ser frágil, incompleto, à espera de ser moldado. Ele é inteiro, inteligente e competente desde o nascimento.

Ela me mostrou, também, que o papel da mãe não é controlar, mas observar. Não é encher de estímulos, mas preparar um ambiente sereno para que o bebê possa florescer (e no início, esse ambiente é o nosso colo).

Descobri que o “menos é mais” não é apenas uma frase bonita — é um modo de viver. Montessori me ensinou a esperar, a respeitar o ritmo da criança, a confiar na natureza e na vida. No fim das contas, confiar nos instintos maternos é exatamente isso.

E ao confiar mais em mim, libertou também a mulher que havia dentro de mim — sufocada por tanta cobrança e excessos.

(Obviamente isso tudo é um processo. Os anos passam e os desafios se renovam. Precisamos sempre estar atentas ao centro da questão e nos relembrar constantemente do nosso papel de carinho, paciência e observação).

A maternidade serena e real

Montessori me mostrou que a maternidade não é um projeto de perfeição, mas um processo de descoberta mútua (e sem fim). No processo de descobrir a criança, descobri a mim mesma: uma mulher que pode cuidar sem se perder, amar sem controlar e ensinar sem sufocar.

A filosofia montessoriana me conduziu de volta ao essencial — àquilo que realmente importa. Hoje, busco uma maternidade simples e verdadeira, vivida no presente.

Afinal, o essencial é sim invisível aos olhos...

Não é fácil obter esse novo olhar. O mundo gira rápido, as informações não param, as redes sociais rolam infinitamente. Mas com Montessori, aprendi que não existem respostas prontas.

Existe o meu filho (hoje meus filhos) — e o olhar. O olhar que observa a criança como um ser completo em desenvolvimento; e a maternidade como um caminho de autoconhecimento.

E é nesse olhar que encontrei liberdade.

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Se você também quer descobrir Montessori, sugiro que leia este artigo aqui, com sugestões de leitura, cursos e filmes. <3

Se quer ir direto ao ponto, os dois livros que mais indico para começar são esses:

A minha edição é em inglês, mas já existe em português. Clica na foto que vai abrir o link pra você.

Uma introdução muito bem feita ao Método Montessori. Super indicação.

 

 

Alexandra Herkenhoff

Alexandra Herkenhoff

Sou mãe, leitora e meio do contra. No Nossa Historinha, compartilho minha experiência com afterschooling, explorando um caminho que mistura Montessori, educação clássica e um tanto de pensamento crítico. Acredito que nós, pais, devemos ser protagonistas na educação dos nossos filhos – ou alguém será em nosso lugar, e talvez não gostemos do resultado.